O estado do Amazonas apesar do seu potencial hídrico, sempre foi deficiente no fornecimento de energia e alguns motivos apontados pela concessionária Amazonas Energia são: à distância dos centros consumidores e a energia clandestina (famosos gatos) consumida por uma parcela da população. Os moradores da comunidade de Santa Luzia, localizada no bairro Japim I, consomem esse tipo de energia e já não suportam os curtos-circuitos e os esgotos abertos.
A equipe de reportagem do Programa A Voz é Sua com Massami Miki (Transamérica 95.1) esteve no local para ouvir as reivindicações e o pedido de melhorias para esta comunidade que existe a mais de 15 anos.
A doméstica Izolina da Silva Batista fez questão de ser a primeira a falar ao vivo no programa. “O nosso maior problema na comunidade é a energia, aqui usamos de
maneira ilegal porque não existe o fornecimento pela Amazonas Energia. Isso é perigoso, vive dando curto-circuito e vários moradores já perderam equipamentos elétricos”, disse ela e a informação foi confirmada pela dona de casa Maria Barroso que enfatizou a importância de se ter o fornecimento regular.
“Eu prefiro pagar a energia a viver com medo que tudo isso pegue fogo, olha lá no poste é cheio de fios e alguns desencapados. Já perdi uma televisão e fiquei no prejuízo, como posso reclamar os meus direitos se não cumpro com os deveres. Quero poder pagar o que consumo”, finalizou.
Todas as vias da comunidade estão esburacadas e os próprios moradores tomam as medidas preventivas para melhorar o tráfego no local, jogando seixo e barro para tapar os buracos. A rede de esgoto está entupida e os bueiros não possuem tampas, trazendo perigo às pessoas como risco de queda durante as chuvas e doenças trazidas por ratos e baratas.
“Já aconteceram vários casos de crianças com cólera, devido o cano de água estar junto ao esgoto e não possuíamos saneamento básico. Muitos moradores não têm condições de comprar água mineral ou trazer do poço, usam direto da torneira”, afirmou o morador Laércio Sousa. Em todas as vias foi possível verificar os bueiros sem tampa, cheio de lixo e alguns com o fluxo de dejetos junto aos canos que leva água para as residências.
Segundo a doméstica Luciana Queiroz da Silva, todos ficam expostos as doenças e a Unidade Básica de Saúde (UBS) que existia dentro da comunidade foi desativada.
“Quando alguém fica doente, nós precisamos ir ao posto de saúde lá no bairro de Petrópolis e fica distante, não sei por que foi desativada a casinha daqui”, além da falta de um posto de saúde, a doméstica falou sobre a insegurança que toma conta do local, “Eu fico dentro de casa com medo, de vez em quando tem tiroteio, a noite é perigoso andar pelos becos e às vezes passa uma ou duas viaturas, mas as ruas são tão estreitas que a polícia tem dificuldade de passar”.
A comunidade de Santa Luzia surgiu de uma invasão e os moradores acabaram deixando um espaço limitado para as ruas, um veículo de porte maior não consegue entrar no local.
“Se chamamos a Polícia ou o Samu, eles até vem, mas só na principal porque não tem como transitar dentro destes becos e alguns moradores construiram no meio da rua. O problema de energia ainda não foi resolvido porque a Amazonas Energia não tem como colocar os postes necessários, será preciso retirar algumas casas, se pegar fogo em alguma residência, o carro de bombeiros não vai entrar”, mencionou a dona de casa Maria Barroso.
O lixo toma conta do local, o veículo coletor tem dificuldades para entrar nas ruas e a solução de forma errada, que os alguns moradores encontraram foi jogar os resíduos em um espaço dentro da comunidade chamado “buracão”. Os detritos jogados em terrenos baldios trazem riscos a saúde dos próprios habitantes do lugar, como a proliferação de roedores, baratas, moscas, mosquitos e que por si transmitem doenças infecciosas como diarreias, parasitoses, amebíase e a dengue que se múltipla rapidamente em locais propícios a água parada.
A moradora Marieta da Silva, falou sobre os buracos que precisam ser tapados e o asfalto quase não existe no local e destacou sobre a necessidade de ter uma área de lazer para as crianças da comunidade, “existe essa área do buracão que foi desapropriado para que a comunidade utilizasse o espaço com uma escola, centro social ou um espaço de lazer. As crianças vivem na rua e não tem onde desenvolver práticas esportivas e isso contribui para que se envolvam com meios ilícitos”, afirmou.
Reportagem de Bruna Souza
Apoio Técnico de Daniel Machado



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